Desde o final de junho, os moradores do Distrito Federal passaram a contar com uma praia. Parece estranho imaginar que Brasília, localizada no centro do país, tenha uma praia. Mas é exatamente isso que aconteceu: empresas de eventos somaram forças para criar um ambiente semelhante ao encontrado no litoral brasileiro durante o período de férias. Tem quiosques, bares, cadeiras de sol e até areia para os banhistas. O local escolhido foi o Setor de Hotéis Turísticos Norte, às margens do Lago Paranoá e próximo à Concha Acústica – há poucos metros do Palácio da Alvorada –, em uma área nobre da Capital Federal.

O que deveria ser um motivo de diversão para todos, acabou virando pesadelo para os moradores dos condomínios e hóspedes dos hotéis das redondezas. O motivo é o barulho causado pelas constantes festas e o aumento considerável do trânsito na região. O problema, segundo moradores, é que as festas começam de dia, mas se arrastam noite à dentro. Os frequentadores estacionam em qualquer lugar, inclusive nas entradas e saídas dos condomínios. Como existe o consumo indiscriminado de bebidas alcóolicas, o risco de acidentes de trânsito também cresceu consideravelmente.

Inquérito para investigar o Na praia e o Doka Beach Club

A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do DF abriu um inquérito civil público para investigar denúncia de poluição sonora, perturbação do sossego e demais impactos negativos decorrentes das atividades do estabelecimento Doka Beach Club e demais estabelecimentos de música. Serão apurados também outros eventos temporários realizados no local, como o polêmico Na Praia.

A medida foi publicada no Diário Oficial da União desta quinta-feira, 30, e proposta pelo promotor Roberto Carlos Batista. O promotor solicitou ao Instituto Brasília Ambiental – Ibram que realize fiscalização no local e informe, em até 30 dias, se existe algum tipo de infração. A Administração de Brasília também terá 30 dias para dizer se emitiu alvará de funcionamento para os estabelecimentos e encaminhá-los para a Promotoria.

Vídeos e abaixo-assinado

Música alta e tráfego intenso são alguns dos problemas enfrentados pelos moradores.
Ambiente praiano vem dando dor de cabeça para os moradores da região.

Os eventos são realizados em um grande espaço urbano não-habitado que fica entre os condomínios Ilhas do Lago e Lake Side. Os moradores gravaram diversos vídeos mostrando o caos na região, especialmente aos finais de semana, e chegaram a elaborar um abaixo-assinado pedindo a suspensão das atividades festivas na área. O material foi entregue na ouvidoria do Ministério Público do Distrito Federal – MPDFT.

O evento Na Praia já tem outro processo administrativo na Promotoria do DF, mas que até agora não resultou em condenação dos organizadores ou suspensão das atividades.

No último final de semana, clientes que adquiriram ingressos para um show, que será realizado no dia 8 de agosto, tiveram suas compras estornadas após um erro no site da empresa. Apenas os primeiros ingressos seriam vendidos com desconto (e com a limitação de apenas um por CPF), mas a plataforma acabou permitindo que todos comprassem quantos ingressos quisessem pelo preço promocional. A empresa devolveu os valores, mas consumidores foram ao Procon reclamar do cancelamento não autorizado da compra.