Após o governo negar mudanças nas regras do uso da poupança para financiamentos na Construção Civil, o Conselho Monetário Nacional decidiu injetar R$ 22,5 bilhões no segmento. Na última sexta-feira, o Banco Central anunciou que os bancos poderão usar parte maior dos recursos que deveriam ficar retidos na autoridade monetária para liberação de empréstimos para compra de imóveis. A liberação deve beneficiar principalmente a Caixa Econômica Federal, que detém uma participação de 70% do mercado.

Nesta terça-feira, 2, no entanto, o Banco Central fixou em 13,7361% ao ano a taxa máxima de juros para os contratos firmados a taxas prefixadas no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação – SFH. Anteriormente, esse valor era de, no máximo, 11% por ano. O SFH é usado no financiamento de imóveis avaliados em até R$ 750 mil. A medida servirá para incentivar um possível “consumo seguro” por parte dos interessados em adquirir a casa nova: os recursos estão aí, mas será preciso analisar o financiamento com cautela, já que os 2,73% anuais extras causam um belo impacto ao longo de 10 ou 20 anos.

Crise na construção civil

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BC elevou juros para financiamento de imóveis para mais de 13%

Com as medidas, o governo espera aquecer o setor que está com os estoques altos e demitindo trabalhadores – 110 mil postos foram fechados na construção civil em 2014 – pela falta de perspectiva de novos lançamentos. A expectativa é de que com mais recursos disponíveis, mais pessoas tenham acesso ao crédito imobiliário.

Endividadas e temendo a atual conjuntura econômica, as famílias vêm retirando recursos da poupança para saldar os débitos. Por conta desse movimento, os saques foram superiores aos depósitos na caderneta de poupança em R$ 30 bilhões durante os quatro primeiros meses do ano, o que motivou a Caixa e o Banco do Brasil a alterarem as regras de financiamento imobiliário e elevarem as taxas de juros do crédito imobiliário.

Sem queda nos preços

Economistas e analistas de mercado, no entanto, não acreditam que o momento de arrocho financeiro irá afetar o valor dos imóveis novos. Isso porque, apesar da estagnação, a maioria das unidades construídas já foram comercializadas em todo o país. O que deve ocorrer daqui para frente é uma queda no lançamento de novos empreendimentos, como reflexo do atual momento.

Já no âmbito nos imóveis usados, a situação é um pouco diferente. Com a elevação do percentual máximo de financiamento para 50% do valor do imóvel, estabelecido pela Caixa em abril deste ano, a tendência é de queda na aquisição. Logo, os preços podem, sim, cair no curto e médio prazo. Essa pode ser, portanto, uma boa época para compra de imóveis a vista, em que se pode negociar um belo desconto diretamente com o proprietário.