A Revista Veja desta semana publicou, nas páginas amarelas, entrevista com o francês Thomas Piketty, autor do livro O Capital no Século XXI. É necessário que a sociedade brasileira esclarecida reflita um pouco sobre o assunto antes de formar fila com a nossa elite descompromissada. Eis alguns pontos que não podem passar despercebidos:

1º – A França é hoje um país afogado em um socialismo sem qualquer qualificação que a posicione num cenário futuro. Somado esse fato à formação do autor, é discutível sua credencial para tratar do tema.

2º – A ideia de taxar os ricos, as grandes fortunas e outras assemelhadas já foi testada e reprovada. Os mentores aplicaram-na em países com resultados desastrosos em todos os sentidos. Revigorar a ideia, além de falta de imaginação, agrava problemas estruturais. John Kennedy já advertia que não enriquecerás o pobre empobrecendo o rico.

3º – Processos de redistribuição de renda são plenamente factíveis com o volume de tributos arrecadados e extremamente mal geridos pela Administração Pública. Em termos de macroeconomia, 40 a 50% da riqueza produzida, inclusive no Brasil, são geridas ou dirigidas pelo Estado.

4º – Sem nenhuma conotação político-partidária, aumentar o volume de recursos para o Estado gerir a pretexto de transferir-lhe a função de redistribuição de renda é, no mínimo, ingênuo. Fato é que o Estado tem se revelado sistematicamente mau gestor por problemas crônicos que não se resolvem em mandato eletivo.

5º – Conhecendo o Brasil como conheço, após mais de dez viagens a todas as capitais e exercendo o magistério em órgãos públicos, é possível concluir que a única causa do desequilíbrio na distribuição de renda, de conhecimento e de saúde é a deficiência na prestação de serviços públicos. Se o país tivesse ensino de qualidade não precisaria dar votos a analfabeto, nem cotas em provas, concursos ou vestibulares. Ensino de qualidade é o que motiva o aluno, respeita-o e o educa com o que é necessário em termos de conhecimento, contribuindo para a formação do cidadão.

A reformulação eficaz do ensino é suficiente para afastar os grandes males da ausência de cidadania. É dever nosso evitar que pílulas adocicadas pela ingenuidade tenham em nosso país solo fértil ao incremento de políticas que estão conduzindo ao agigantamento do Estado com prejuízo da sociedade, do cidadão e da economia de um país. Teses como essa fazem o Estado rico e toda sociedade mais pobre.