Por Ludimila Reis

A Copa do Mundo no Brasil é um evento esperado há mais de oito anos e que, com excessivos gastos e perdas, está chegando ao fim. E o que fica para o Brasil? Esperamos que seja a reflexão de que o planejamento é crucial, seja no ato de compor uma equipe de jogadores, seja na gestão de recursos públicos.

Com um gasto de mais de R$ 7 bilhões entre obras e infraestrutura, dentre os quais mais de 80% advindos dos cofres públicos, o País esqueceu-se por alguns dias da alta do índice de desemprego, das paralisações de atividades e expedientes reduzidos, dos serviço atrasado, das manifestações, etc.

O Brasil foi o mais atrasado para entregar a estrutura necessária para realização do evento. A partir dessa entrega tardia e negligente, sofremos colateralmente com a trágica queda de viaduto em uma das cidades-sede e com uma avalanche de denúncias de superfaturamento, falta de fiscalização, entre outras consequências. Tais acontecimentos refletem típica demonstração de desinteresse em planejar. A título exemplificativo, a França precisou de apenas 3 anos de planejamento e a estrutura foi entregue à FIFA um 1 ano antes da realização do evento.

O Decreto-Lei nº 200/1967 estabeleceu como princípio fundamental da Administração Pública o planejamento. Este se faz por meio de um plano geral do governo para utilizar as receitas, para governar, para administrar. Nota-se que tal princípio não vem sendo aplicado com eficiência pela Administração.

Para que serve o planejamento, afinal? Para responder tal pergunta, basta traçar um paralelo com a derrota da seleção brasileira ontem.

A seleção alemã trabalha com a mesma base desde 2006 a fim de vencer a Copa do Mundo. Como uma equipe deve fazer, estudou suas falhas e as trabalhou, com vistas ao aprimoramento. Já a seleção brasileira foi montada por jovens talentos que talvez não estivessem preparados para assumir tamanho fardo. Além disso, os brasileiros são conhecidos  pelo poder do improviso, pela malandragem e pela sorte. Pois bem, ontem o planejamento venceu. E não foi apenas uma vitória, foi uma aula de como é melhor poder contar com uma estrutura pensada. Fica a reflexão!