Pressões para a privatização da Caesb voltam a ganhar corpo no Distrito Federal. Com a intensificação da crise da falta de água paulista, que agora começa a afetar outras unidades da federação – inclusive o DF –, crescem os apelos de segmentos sociais pela privatização do serviço prestado pelas estatais de água e esgoto. Isso porque as empresas governamentais que operam este tipo de serviço vêm demonstrando despreparo e falta de planejamento para conduzir uma questão estratégica para o Brasil.

A Sabesp até hoje nega que haja racionamento e afirma que os cortes no abastamento não afetam nem 1% da população da São Paulo. Os baixos índices nos reservatórios já começam a afetar a produção de energia. No DF, a Caesb, pelo menos, não tenta minimizar o problema. Medidas já foram anunciadas para forçar a população a economizar água e luz: quem gastar além da quota média pagará mais pelo excedente e estará sujeito a multa. Soluções paliativas para resolver um problema estrutural.

Dificuldades de longa data

Nos últimos anos a companhia de águas brasiliense não teve muita atenção do governo local. Prova disso são os problemas infinitos: terceirização de serviços (os que a companhia não dá conta de realizar), excesso de comissionados (quase metade do quadro de servidores), locação de veículos (os poucos não são suficientes, obrigando o aluguel de terceiros), sucateamento, ineficiência na fiscalização de contratos, falta de pessoal qualificado, ausência de um plano de carreira eficiente e um imenso passivo trabalhista. Não é a toa que o órgão sofre quase que anualmente com greves de servidores – cargos comissionados podem ganhar até oito vezes o que um servidor de carreira recebe na mesma função.

Exemplos do sucateamento são os inúmeros vazamentos nas tubulações, que às vezes demoram dias para serem consertados, e as sucessivas greves de servidores públicos. Diariamente, a Caesb precisa selecionar cidades-satélites para reparar os canos, o que deixa milhares de moradores sem água. Em vez de investir na substituição do sistema antigo, a Caesb opta por fazer remendos pontuais.

Gestão falha

Na década passada, o Tribunal de Contas do Distrito Federal – TCDF encontrou uma série de irregularidades nas contas da Caesb. Gastos excessivos “maquiados” para tentar passar despercebidos nas cortes de contas e o imenso passivo trabalhista da companhia. Se estivéssemos na iniciativa privada, certamente a Caesb já teria declarado falência, tamanha a dívida apenas com os trabalhadores. O então governador José Roberto Arruda chegou a cogitar a privatização da empresa, mas a proposta não avançou.

Aqui, na capital federal, os moradores das cidades-satélites e do entorno padecem com a falta de serviços públicos de qualidade, mas o GDF parece não cogitar a hipótese de concedê-los à iniciativa privada, tendência que vem crescendo em diversas unidades da federação. Quem mais sofre com tudo isso é a população mais pobre, das áreas mais afastadas dos grandes centros, obrigadas a conviver com a constante falta d’água e os cortes regulares de energia.

A realização de Parcerias Público-Privadas na área de captação e distribuição de água pode ser uma solução interessante para modernizar o sistema brasiliense. Sem contar o fato de que há empresas especializadas e muito mais capacitadas do que o poder público para conduzir o setor. Até quando nossos governantes continuarão gerindo serviços essenciais de forma precária, tapando o sol com a peneira?