Todo final de ano é sempre igual. Nos dias que antecedem a virada do ano começa a correria nos órgãos públicos para gastar toda a verba em caixa. Neste dia 31 de dezembro de 2014, mais de R$ 2,3 bilhões em recursos foram liberados pela Presidência da República na forma de crédito complementar, suplementar e extraordinário.

Entre os beneficiados estão todos os ministérios e secretarias especiais; demais órgãos do Poder Executivo; Justiças Federal, Eleitoral e do Trabalho; Ministério Público da União; e para o Poder Legislativo. É muito dinheiro para ser aplicado aos 45 minutos do segundo tempo.

Somente os ministérios da Justiça e da Defesa receberam nesta quarta-feira quase R$ 490 milhões. A Secretaria de Portos foi a segunda instituição que mais teve créditos liberados: R$ 333 milhões. A Previdência Social foi agraciada com R$ 248 milhões em crédito complementar.

Prática comum

A prática de torrar todo o orçamento restante no final do ano é prática comum no serviço público. Isso porque as verbas restantes não se acumulam para o ano seguinte, elas “se perdem”, retornando para o tesouro. Quando o órgão não gasta tudo a que tem direito, podem ocorrer cortes no ano subsequente e é exatamente isso que os gestores tentam evitar a qualquer custo.

Enquanto a maioria das pessoas está nas suas casas, com suas famílias, ou simplesmente curtindo a virada do ano, inúmeros servidores públicos estão trancafiados em seus gabinetes realizando despesas de última hora. Vale tudo: desde a compra de materiais de escritório excedentes, lembrancinhas caras para serem distribuídas até reformas completamente desnecessárias.

É preciso mudar esta nociva prática que só serve para lesar o erário. O agente público deve gastar com eficácia e planejamento ao longo do ano. Caso contrário, continuaremos convivendo com serviços públicos prestados precariamente, programas de governo ineficientes e a tão odiada corrupção.