A taxa Selic, conhecida como a taxa básica de juros brasileira, teve a sua sétima alta consecutiva nesta sexta-feira, 31. O Comitê de Política Monetária – Copom do Banco Central definiu que a meta para a Taxa Selic será de 14,25% ao ano, já valendo a partir de 30 de julho de 2015. O valor antigo estava afixado em 13,75%, o que representou um aumento de 0,5% em pouco menos de dois meses. A nova Selic foi publicada no Diário Oficial da União de hoje, por intermédio do Comunicado nº 28.226/2015.

O percentual é o maior patamar em nove anos – a última vez que a taxa de juros esteve tão alta foi em agosto de 2006, quando foi estipulada em 14,75%. A taxa mais alta de juros é uma tentativa de o Banco Central controlar os gastos dos consumidores no atual momento de crise. Com dificuldades para reduzir custos e com tópicos do ajuste fiscal excluídos da pauta, o Governo Federal vem tentando controlar a economia, sem muito sucesso.

Como a alta de juros impacta na minha vida?

Com juros maiores, a tendência é de redução de crédito e um corte no consumo, especialmente de bens mais caros (setor imobiliário, veículos, etc.), servindo como um freio para a inflação em alta crescente. Afinal, ninguém gosta de pagar juros. O lado ruim da medida é o prejuízo a setores produtivos, a redução das ofertas de emprego, o aumento no número de demissões (que podem ocorrer se o consumo cair demais) e, portanto, o impacto negativo no crescimento da economia brasileira.

Analistas estão receosos com a medida. Em pesquisa realizada na semana passada pelo BC com mais de 100 representantes de bancos a expectativa é de que a economia brasileira encolha 1,76% em 2015 – a maior retração em 25 anos.

Nas últimas semanas, o dólar disparou antevendo um possível aumento dos juros brasileiros. A moeda internacional atingiu o maior valor em 12 anos, chegando a ser negociado a R$ 3,40 nesta sexta-feira. O assunto, inclusive, está nos trend topics do Twitter durante toda a manhã. Isso é um dos fatores, aliado ao desemprego, que pressiona a inflação dos produtos. O aumento da taxa beneficia os poupadores e, principalmente, os credores, que passarão a receber mais pelos montantes emprestados.

A próxima reunião do Copom está marcada para o dia 1º de setembro de 2015 para apresentar diretrizes técnicas. Até lá, muita coisa pode acontecer, mas a expectativa é que a atual taxa mantenha-se congelada pelo menos até o final de 2015.