O trânsito de Brasília deverá, em menos de seis anos, ficar saturado e a cidade pode parar! Em que pese a projeção de caos ser do conhecimento do Poder Público, nenhuma ação efetiva foi adotada pelos governantes até agora.

Na tentativa de melhorar a mobilidade urbana, especialistas propõem, dentre outras medidas, a melhoria do transporte público, a ampliação e inversão do sentido das vias; a criação de estacionamentos subterrâneos; a cobrança de pedágios e até a promoção de rodízios de veículos. Ainda que as medidas sejam consideradas apropriadas, a solução para os problemas de trânsito de Brasília não está nelas. Os problemas de trânsito em Brasília têm causa na inobservância da lei tanto pela Administração Pública, como pelo cidadão-motorista.

A Administração Pública insiste em não observar a Lei. Pistas são liberadas ao trânsito, sem apresentarem as condições necessárias e exigidas para o tráfego. Esta ação, inclusive, é fato que causa o dever de indenizar. A má gestão administrativa, bem como de recursos financeiros retiram do cidadão-motorista e do pedestre o direito de trafegar com segurança nas vias públicas.

Os exemplos de desobediência às Leis não são poucos. Em colisões sem vítimas, motoristas não hesitam em deixar o carro no local do acidente para discutir a culpa ou a forma de reparação do dano com o outro envolvido. Até esperar um parente convocado a comparecer para prestar os auxílios pretendidos é atitude que presenciamos corriqueiramente nos desastres. Sem falar nos demais condutores que, ao não conseguirem conter a curiosidade, reduzem a velocidade para darem uma “olhadinha”, provocando um engarrafamento desconsolador.

Note-se que o cumprimento da lei pelo motorista também é parte da solução dos problemas de trânsito da cidade. Essa responsabilidade não é apenas da Administração Pública. Ainda que as ações governamentais não possam ser dispensadas, a melhoria no trânsito brasiliense depende da consciência dos cidadãos e dos gestores públicos.