Os moradores do Distrito Federal vêm passando maus bocados nas últimas semanas. Isso porque o Governo do Distrito Federal – GDF tem atrasado o pagamento de servidores, terceirizados e fornecedores, o que tem causado a interrupção de serviços primordiais para a população, como o transporte público, o atendimento médico hospitalar e a educação.

Motoristas e cobradores das empresas de ônibus reclamam do atraso no pagamento do salário de novembro e da primeira parcela do 13º. Os condutores de ônibus articulados também reclamam da falta de pagamento do adicional para operadores deste tipo de veículo, o qual exige maior perícia do motorista. O resultado foram greves em diversas empresas, que deixaram milhares de passageiros sem ter como se locomover no DF. Na semana passada, a categoria chegou a fechar a saída principal do Recanto das Emas, cidade-satélite localizada a 26 km de Brasília.

Já na área da educação, professores da rede pública também tiveram seus salários retidos até a noite de ontem, dia 9. Eles deveriam ter recebido até o 5º dia útil, prazo que esgotou na sexta-feira passada. O resultado foi a suspensão das atividades até que fosse efetuado o pagamento. Alunos ficaram sem aula na segunda e terça-feira justamente na última semana do ano, na qual são divulgados os aprovados e os que precisarão fazer recuperação.

Em situação igualmente caótica está a saúde. Médicos, enfermeiros e atendentes dos hospitais da Capital da República estão em greve e atendendo somente aos casos mais urgentes, classificados como laranja e vermelho (ambos que há risco de morte). A fornecedora de alimentos para os hospitais, a empresa Sanoli, também está sem receber mais R$ 20 milhões devidos pelo GDF. Sem dinheiro e com o salário dos funcionários atrasado, a empresa está precisando restringir a entrega de alimentos apenas aos pacientes internados.

Até a segurança pública está sofrendo com os problemas financeiros. Apesar de os salários estarem em dia, falta verba para realização adequada do policiamento. A imprensa local chegou a noticiar o alto número de viaturas estacionadas nos pátios por falta de combustível, já que os fornecedores estavam sem receber.

Ao contrário do que dizem por aí, os atrasos não começaram após a derrota do governador Agnelo Queiroz (PT) nas eleições de outubro de 2014. O atraso na liberação de verbas do GDF a fornecedores e conveniados é antigo. As empresas responsáveis pela conservação dos parques e jardins da cidade, por exemplo, não veem a cor do dinheiro há tempos. Não é a toa que o mato alto toma conta e as árvores carecem de poda. A população não sentia porque Agnelo nunca teve coragem de atrasar pagamento no eixo saúde-transporte-educação-segurança.

Derrotado nas urnas, o governador parece ter simplesmente abdicado de cumprir a função para o qual foi eleito pela população. Pessoas que estão “pagando seus pecados” devido ao desleixo com que as contas públicas distritais vêm sendo tratadas. O Ministério Público divulgou ontem que pretende entrar com ações contra o governo por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF e até por improbidade administrativa. Infelizmente, a esperança do início do governo petista em Brasília transformou-se em uma conturbada desilusão somada a uma melancólica despedida.