O presidente do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, defendeu a tese de que a corrupção é causada pela falta de governança no serviço público. Em sua fala, proferida no Seminário Internacional de Combate à Corrupção, Nardes disse que o TCU tem atuado preventivamente e sem paralisar obras.

O presidente afirmou que a ausência de um planejamento faz com que anualmente os gestores públicos deixem de destinar verbas a áreas que realmente necessitam. “Em 2003, o setor de transportes gastou apenas 33% dos recursos que poderia. Na área da saúde, isso é ainda mais grave: somente 27% do orçamento foi empenhado”, destacou. O Ministério da Defesa foi o único que usou mais da metade do seu orçamento, fato que Nardes atribui ao senso de maior organização dos militares.

O deputado Francisco Praciano  pediu uma mudança no formato de escolha dos conselheiros dos tribunais de contas. Segundo ele, a indicação feita pelos governadores leva em consideração critérios meramente políticos. “Em todo o Brasil, 42% dos conselheiros dos tribunais de contas dos estados respondem a processos por corrupção, alguns deles, inclusive, já foram condenados. São ex-vereadores, ex-deputados, ex-governadores que são indicados com intuito de ‘não-prejudicar’ ninguém. Precisamos mudar essa forma de escolha das pessoas que tem como missão zelar pelo combate à corrupção”, disse o parlamentar.

O senador Humberto Costa, vice-presidente da Global Organization of Parliamentarians Against Corruption – GOPAC/Brasil, pediu que os parlamentares pensassem na proposta de criação do Conselho Nacional dos Tribunais de Contas. “Nós temos o CNJ que faz um ótimo trabalho na regulação da atividade jurídica. Por que os tribunais de contas não podem ser também submetidos a este controle?”, questionou.

O Seminário Internacional de Combate à Corrupção está sendo realizado na Câmara dos Deputados até as 19h desta quarta-feira, 19, no Auditório Nereu Ramos. Além dos parlamentares, estão presentes autoridades de diversos países, além de jornalistas, juízes, advogados, servidores públicos e estudantes.