A Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. – Nuclep, a maior e mais importante indústria de construção nuclear pesada brasileira, será submetida em breve aos interesses político-partidários. A estatal será usada pelo Governo Federal como moeda de troca para ajudar na aprovação da Reforma Trabalhista e da Previdência. O Diário Oficial da União publicou há dois dias que a atual diretoria da estatal será destituída para dar lugar a apadrinhados políticos do ministro Gilberto Kassab (PSD) e do deputado federal Celso Pansera (PMDB-RJ).

Por exemplo, o “novo” diretor comercial, Luiz Renato de Almeida, é filiado ao partido Solidariedade e foi candidato a deputado federal, em 2014, no Rio de Janeiro/RJ. Segundo dados do TSE, teve apenas 2.686 votos, ficando bem abaixo de pleitear o cargo público. Já Luciana Camargo da Silva, a “nova” diretora administrativa foi cabo eleitoral de Pansera, tendo doado R$ 2 mil nas eleições de 2014. Além disso, ela se diz uma Panserete nas redes sociais. Há ainda outros nomes, todos ligados de alguma forma aos políticos citados.

O art. 17 da Lei de Responsabilidade das Empresas Estatais veda a indicação de dirigentes de partidos, de quem tenha participado de campanhas políticas ou prestado serviços à União e demais poderes nos últimos três anos para o comando de estatais. Além disso, os nomeados não possuem a qualificação necessária para ocupar os cargos. Como se não bastasse, muitos deles respondem a processos na Justiça, o que, por si só, já o impediriam de tomar posse, já que um dos critérios de avaliação dos dirigentes das estatais é possuir reputação ilibada.

Mesmo assim, o governo está disposto a encarar a briga em troca de mais apoio para as votações na Câmara e no Senado. A posse está marcada para 11h do dia 17 deste mês.