As revistas semanais, em especial a Veja e a Istoé, trazem matérias sobre as delações premiadas dos empresários donos das empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato, deflagrada pela Polícia Federal e que levou diversos diretores para a cadeia. A Veja, por exemplo, mostra que a maior parte dos executivos está começando a citar nomes de políticos em suas delações premiadas, pois estariam insatisfeitos com o fato de eles estarem soltos.

Não se trata, contudo, de blindagem ou de falta de acusações, mas, sim, de um procedimento comum adotado pela justiça. Isso porque o chamado núcleo político, constituído de parlamentares, ministros e outras autoridades, tem foro privilegiado, devendo ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Com um volume de trabalho muito maior, é natural que o STF demore mais a se posicionar do que a justiça comum. A demora, no entanto, não significa que os políticos serão inocentados – o julgamento do mensalão foi um exemplo disso. Morosidade há, mas não se pode falar em impunidade, ao menos até que haja o veredicto.

Em junho, a Segunda Turma do STF decidiu manter na Corte apenas investigações da operação Lava-Jato que envolvam parlamentares federais. No caso, foram avaliadas ações penais e investigações remetidas ao Supremo pelo juízo da 13ª Vara Federal de Curitiba/PR, para que o tribunal determinasse se teria ou não competência para processá-las e julgá-las no caso de haver investigações envolvendo autoridades com prerrogativa de foro no Supremo.

Por unanimidade, os ministros da Turma entenderam não haver relação entre os processos e o então deputado federal André Vargas, que seis meses depois teve seu mandato cassado pela Câmara dos Deputados. Vargas é suspeito de fazer tráfico de influência em favor de empresas do doleiro Alberto Youssef, acusado de liderar o esquema de lavagem de dinheiro investigado na operação. Também foram validados todos os atos praticados e autorizada a continuidade das investigações coordenadas pela Justiça Federal do Paraná.