O ex-governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), conseguiu a proeza de passar quase 3 anos e meio no cargo sem que nenhum de seus processos fossem julgados pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE. Para isso, contou com a efetiva mobilização do seu aliado de primeira hora, senador Romero Jucá (PMDB). Os processos, no entanto, continuam tramitando no TSE, agora sob relatoria do ministro João Otávio de Noronha, para atingir o mandato do atual governador, Francisco de Assis Rodrigues – vice de Anchieta -, que assumiu o cargo no último dia 4 de abril.

Para se ter uma ideia da gravidade das acusações, uma delas é baseada no abuso do poder econômico por parte de Anchieta e Rodrigues por terem gastado R$ 5,5 milhões com o pessoal de campanha. Isso em um colégio eleitoral de 271 mil eleitores. Enquanto isso, a presidente Dilma Rousseff gastou R$ 11 milhões para um colégio eleitoral de 130 milhões de eleitores.

O gasto por cada pessoa na campanha da dupla Anchieta-Rodrigues, proporcionalmente ao número de eleitores do estado, foi de R$ 20,37 contra R$ 0,08 da campanha de Dilma. Ou seja, Anchieta e Rodrigues gastaram 254 vezes mais do que Dilma em pessoal por cada eleitor. Para cada real que a campanha de Dilma gastou a campanha de Anchieta gastou 254 reais.

Outro fato escandaloso que se deu na campanha de 2010 foi a revoada de R$100 mil, atirados pela janela do carro de um correligionário, que havia acabado de sair do escritório do senador Romero Jucá, em Boa Vista, e foi perseguido e preso pela Polícia Federal. O correligionário confessou ter recebido o dinheiro das mãos do próprio Jucá, que agora vai lançar seu filho, Rodrigo Jucá, como candidato a vice-governador de Francisco Rodrigues.

Toda a eficiência da PF no caso, entretanto, de nada adiantou, tanto que o senador, o ex-governador e o atual continuam formosos, preparando–se para mais uma campanha de abusos no estado de Roraima