O trabalho de presos é sempre um tema polêmico. Seja na imprensa, em blogs, redes sociais ou conversa entre amigos/familiares, o assunto sempre rende debates acalorados. A maioria acha justo que o preso tenha que trabalhar para garantir o seu sustento, o que, de fato, ocorre em vários casos. Porém, pouco se fala sobre a situação degradante ao quais os encarcerados são submetidos: alimentação inadequada, falta de higiene, ambiente hostil, além do preconceito social.

O preso trabalhador é estigmatizado e discriminado, o que pode fazê-lo sentir-se desmoralizado e deprimido. O sentimento de rebaixamento pode ser tão intenso que o suicídio é visto como a melhor opção.

Pensando nisso, o Departamento Penitenciário Nacional – Depen criou um grupo de trabalho para elaborar proposta e definir diretrizes para a realização de ações de saúde do trabalhador do Sistema Penitenciário Federal, com ênfase na prevenção ao suicídio.

Pesquisa de 2009 do próprio Depen revelou aumento expressivo no índice de suicídios da população carcerária. De 2006 a 2009, o total de presos que se mataram cresceu 40%. O número de suicidas dentro das cadeias é cinco vezes maior do que fora delas. Segundo o Datasus, em 2007, pelo menos 8.500 brasileiros teriam cometido suicídio – média de um caso para 22.331 pessoas da população do país. Já nas carceragens, foram 97 suicídios, em 2007, para uma população prisional de 422.373 detentos – um caso para cada 4.354 presos.

Comentários do CAB: A ação é louvável porque, como ocorre nas carreiras militares, as condições e o ambiente no qual estão inseridas essas pessoas quase sempre estão longe do ideal. Dois são os fatores que podem levar o cidadão ao suicídio no sistema penitenciário. O primeiro é a nulidade do valor da honra. O segundo é a indignidade da condição do preso. A população carcerária precisa de uma atenção especial, pois, cumprir pena pelo erro cometido, não pode implicar em violação da dignidade humana.