A prefeitura do pequeno município de São Paulo de Olivença, no Amazonas, havia firmado convênio com o Fundo Nacional de Cultura para a construção de um centro cultural, no valor de R$ 50 mil reais.

No dia 29 de julho de 1998, o prefeito, que estava em Manaus, teria sacado a referida importância da conta do convênio para pagar, em espécie, os executores da obra. O contrato previa essa condição tão logo fosse concluída a construção, prometida para ser finalizada em tempo recorde. Aproveitando a oportunidade, o político sacou também R$ 208 mil, que seriam destinados ao pagamento da folha de pessoal da Prefeitura.

Tragicamente, o avião que conduzia o prefeito sofreu uma pane e caiu sobre o rio Manacapuru, causando a morte de doze passageiros. Restaram alguns sobreviventes, inclusive o próprio prefeito, mas os pertences dos passageiros e a maleta contendo os supostos R$ 258 mil desapareceram.

O Tribunal de Contas da União – TCU, julgou a tomada de contas especial – analisando, inclusive, o inquérito policial que apurou o acidente aéreo – e chegou às seguintes conclusões:

a) A folha de pagamento do mês de junho de 1998 totalizou R$ 129.655,27, valor bem abaixo dos R$ 208 mil sacados;

b) Apenas R$ 10 mil foram retirados efetivamente, os outros R$ 40 mil foram desviados para uma conta de terceiros;

c) Não há qualquer menção a extravio de dinheiro no inquérito policial;

d) A obra em fase de conclusão não foi paga.

No fim das contas, as desculpas do prefeito não convenceram o TCU e ele foi condenado a devolver os R$ 50 mil, além de pagar  uma multa de R$ 15 mil. Quanto ao  restante do valor, ninguém sabe onde foi parar.