A licitação para contratação de serviços de manutenção da BR-210, localizada no Amapá, deverá ser lançada até 30 de maio. As obras, caso não haja nenhum problema, devem ter início no começo de agosto. Essa é a previsão estabelecida pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – Dnit.

O trecho da BR-210 que será restaurado é o que fica localizado entre os municípios de Porto Grande e Pedra Branca do Amapari. No último sábado, 16, o trecho foi alvo de protesto de moradores da região, que reclamam das más condições da via, especialmente no perímetro urbano de Porto Grande.

A BR-210 está em péssimas condições, mas o Dnit promete uma licitação em breve.
Carros a quase precisam parar para conseguir passar pela estruada

A licitação para obras de conservação da rodovia está em fase final. Deverão ser gastos R$ 41 milhões na reforma que terá duração de dois anos. O trecho da BR-210 está em péssimas condições, com muitos buracos e obrigando os carros e caminhões a passarem pelo local com velocidade muito reduzida. O medo dos moradores são os acidentes, já que um veículo em alta velocidade acabar capotando ao cair nesses buracos.

Só em agosto

O Dnit espera assinar logo na primeira semana de agosto os contratos com a construtora ganhadora da licitação, a ser realizada na modalidade concorrência. A expectativa é emitir a ordem de serviço já no mesmo dia para que as obras se iniciem imediatamente.  Enquanto a licitação não sai, o órgão prometeu que atuará junto da Secretaria de Estado de Transportes – Setrap para realizar uma operação tapa-buracos.

A licitação de conservação contará também com a criação de acostamentos de dois metros e meio em cada margem da rodovia. O serviço está incluído no edital de licitação, que abrange um trecho de 212 quilômetros.

Problemas da BR-210

A BR-210 foi inaugurada em 1973, mas até hoje não possui asfalto em sua totalidade. A previsão é de que, no orçamento do próximo ano, a União inclua R$ 3,5 milhões para o Dnit contratar uma empresa responsável por elaborar um projeto básico de asfaltamento da estrada. Após isso, deverá ser feita uma nova licitação para que a pista seja completamente coberta com o asfalto.

Também conhecida como Perimetral Norte, a via é uma rodovia federal projetada para atender aos estados do Amazonas, Pará, Amapá e Roraima. Até hoje, contudo, existe apenas trechos nos dois últimos estados citados. Em Roraima, a BR-210 tem 411,7 quilômetros abertos, saindo do rio Jatapu até Missão Catrimani. Este trecho é asfaltado, mas a maior parte dele encontra-se em péssimo estado de conservação. No trajeto roraimense, a rodovia intercepta as outras estradas federais: BR-174 e BR-432, as estaduais RR-460 e RR-344, além de diversas estradas vicinais dos municípios que corta.

A BR-210 foi planejada durante o período do governo militar como uma forma de interligar a região amazônica. Existe uma polêmica em torno da construção da rodovia, que passou próxima a territórios indígenas. Alguns índios da etnia Yanomami chegaram a morrer em razão do contato com a população branca, adquirindo doenças até então desconhecidas para aqueles povos, como o Sarampo, por exemplo.