O plenário do Supremo Tribunal Federal – STF iniciou julgamento de ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra o inciso IV do art. 20 e o art. 27, §§ 1º a 5º, da Lei  nº 10.961/1992, do Estado de Minas Gerais, que dispõe sobre acesso, enquanto forma de provimento dos cargos públicos naquela unidade federativa.

Por vislumbrar ofensa ao princípio constitucional do concurso público (CF, art. 37, II), o Supremo deferiu, em 1993, medida cautelar a fim de suspender a vigência dos citados artigos da lei mineira até o julgamento final da presente ação. O ministro Marco Aurélio, relator, julgou parcialmente procedente o pedido para dar interpretação conforme a Constituição aos dispositivos, de maneira a excluir a movimentação de servidor para cargo de carreira diversa daquela na qual ingressou mediante concurso público. Destacou que a movimentação horizontal de servidor pressuporia situarem-se os cargos dentro da mesma carreira. Ele apontou a inconstitucionalidade de toda modalidade de provimento que propiciasse ao servidor investir-se sem prévia aprovação em concurso público destinado ao seu provimento, em cargo que não integrasse a carreira na qual anteriormente investido.

Celso de Mello, por sua vez, observou que a norma teria sido revogada. Já o ministro Roberto Barroso acredita não ter havido revogação expressa, mas sim a edição de leis posteriores que tratariam da mesma matéria. Na sequência, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello, Joaquim Barbosa e Roberto Barroso julgaram procedente o pleito. Os ministros entenderam que a previsão de que “o acesso precederá o concurso público observado o percentual de até trinta por cento das vagas a serem preenchidas” constituiria ofensa à cláusula constitucional do concurso público universal de provas e títulos.

Depois dessas manifestações, o ministro Teori Zavascki pediu vista dos autos.

Conheça a ADI 917/MG, relatada pelo ministro Marco Aurélio.